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26/03/2012
Alerta vermelho para o laser em tratamentos estéticos O uso incorreto do aparelho pode provocar manchas na pele, cicatrizes e queimaduras
Repórter: Raquel Ramos
Eficaz na remoção de pelos e tatuagens, na diminuição da flacidez da pele ou no rejuvenescimento facial, os tratamentos estéticos a laser ou com aparelhos de radiofrequência se popularizaram. A divulgação da tecnologia, porém, veio acompanhada de um risco: o uso indiscriminado dos equipamentos operados por pessoas não capacitadas.
“Queimaduras e manchas são as complicações mais comuns quando uma pessoa sem formação adequada trabalha com esses instrumentos. Em alguns casos, ela pode deixar cicatrizes ou até mesmo um queloide”, alerta a dermatologista Renata Zac. Ela ressalta que antes de iniciar qualquer tratamento é preciso fazer uma avaliação do paciente, pois existem vários fatores que devem ser observados antes de escolher o método mais eficaz. “Não existe uma receita pronta. Quando falta conhecimento, problemas aparecem”, reforça.
A administradora Júnia Rodrigues, de 34 anos, viveu essa situação. Cansada de ir ao salão todo mês para se depilar, ela recorreu ao tratamento a laser, mas teve surpresas desagradáveis logo nas primeiras sessões. “Fiquei empolgada com um promoção e comprei um pacote. Percebi depois que o preço acabou me traindo”.
Na segunda consulta, a pele de Júnia ficou mais escura e manchada. “Avisei ao pessoal da clínica e me informaram que era normal. Esperei por mais um tempo, mas como não melhorava e o tratamento não fazia efeito, desisti na metade”. A administradora afirma que não passou por nenhum tipo de avaliação antes de iniciar as sessões e nem teve a curiosidade de saber a formação da pessoa que aplicava o laser. “O erro talvez esteja aí”.
O cirurgião plástico Lúcio Manetta, da Dermoclin, explica que peles morenas, como é o caso de Júnia, exigem mais atenção. “Quanto mais escura ou bronzeada a pele, maior o risco de queimaduras e mais cuidado e experiência serão necessários para o êxito do tratamento”, diz. Em determinadas situações, o tratamento deve ser retardado, com uso menos agressivo do laser. Lúcio ressalta que, como alguns casos podem evoluir para procedimentos clínicos, mesmo que o tratamento a laser seja aplicado por um técnico treinado ou por fisioterapeutas, é imprescindível o acompanhamento de um médico ou outro especialista.
A opinião do cirurgião é compartilhada pela esteticista Josiana Duarte da Silva. “Dermatologistas, fisioterapeutas ou esteticistas passam pelo mesmo treinamento para aprender a manusear o aparelho. Mas, independente do tipo de tratamento, é recomendado o acompanhamento de um médico para avaliar o desenvolvimento do paciente”.
Há três semanas, a estudante de comunicação Giulia Mendes Andrade, de 22 anos, procurou ajuda profissional para tratar a celulite. Embora o procedimento seja simples, com uso de aparelho de radiofrequência, ela passou por avaliação e entrevista com o médico, que recomendou o melhor tratamento. Josiana, responsável pelo procedimento na estudante, adverte que, assim como o laser, o instrumento de radiofrequência mal manuseado pode provocar queimaduras até de terceiro grau.
O receio de Giulia era que o tratamento não desse resultados ou que ela enfrentasse algum tipo de problema. “São muitas opções no mercado. Nas compras coletivas, por exemplo, encontramos diversos lugares com preços bons, mas não sabemos quem é o profissional que está por trás do pacote. Não optei pela clínica mais barata, mas pelo local onde senti mais segurança. Estou esperando bons resultados”.
Renata Zac lembra que apesar dos bons resultados dos tratamentos, os pacientes devem ter uma expectativa realista dos efeitos. “Uma pessoa que se submete ao laser para rejuvenescer não pode sair da sala achando que estará sem rugas. A pele certamente ficará mais bonita, saudável e brilhante, mas não será como uma cirurgia plástica. Da mesma forma, a radiofrequência não pode ser comparada com uma lipo”.
Fonte: Hoje em Dia
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