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05/12/2011
Para acabar com recaídas de malária Pesquisadores conseguem eliminar os parasitas da doença alojados no fígado de ratos
Repórter: Max Milliano Melo
Existem quatro espécies de parasitas responsáveis pelo desenvolvimento da malária, doença que anualmente atinge 300 milhões de pessoas em todo o mundo. Medicamentos criados pelo homem já são capazes de controlar os quatro tipos de patógenos — todos protozoários do gênero plasmódio — e evitar que a grande maioria dos pacientes morra, deixando os casos fatais restritos ao universo das crianças, que são mais frágeis. No entanto, quando a infecção se dá por um tipo específico de parasita, o Plasmodium vivax, é bom o paciente se preparar. O micro-organismo tem a capacidade de se alojar no fígado, formando uma espécie de reserva. De tempos em tempos, durante toda a vida, essas reservas são ativadas, e o paciente volta a ter a doença.
Uma pesquisa divulgada na revista científica Science promete dar uma luz para os pacientes que sofrem com esse problema. Pesquisadores do The Scripps Research Institute, da Califórnia, nos Estados Unidos, descobriram um grupo de substâncias chamadas imidazolopiperazinas. Em testes com ratos, esses compostos conseguiram o que nenhum medicamento atual foi capaz de fazer: eliminar os parasitas instalados no fígado, evitando o ressurgimento da doença.
Em entrevista ao Estado de Minas, uma das responsáveis pelo estudo, a pesquisadora norte-americana Elizabeth Winzeler explicou que, embora o resultado mostre que os parasitas são exterminados do fígado, ainda não é possível dizer como isso acontece. “Não temos certeza ainda, mas pensamos que o composto pode estar trabalhando para interromper um mecanismo básico que é necessário para os parasitas sobreviverem e crescerem no fígado e no sangue.”
Para ela, mesmo que nem todos os compostos estudados efetivamente se tornem medicamentos, no futuro, as informações divulgadas agora poderão servir de base para novas pesquisas. “Estamos lançando os dados de todos os compostos que foram examinados como parte de nosso estudo. Mesmo que nossos compostos não se transformem em medicamentos licenciados, nós esperamos que os dados ajudem os outros a desenvolver antimaláricos”, disse.
Controle Apesar de os parasitas da forma reemergente da doença não serem responsáveis pela forma aguda do mal, isto é, os casos que levam à morte dos pacientes, os especialistas garantem que o controle dos casos crônicos trará benefícios sociais importantes. “Além de melhorar a qualidade de vida dos pacientes, uma solução para esses casos trará melhorias do ponto de vista da saúde pública e da economia”, afirma a norte-americana Elizabeth Winzeler.
Segundo os pesquisadores, benefícios adicionais poderão ser garantidos na medida em que esses pacientes aliviarão os serviços públicos de saúde, já que deixarão de ser internados com frequência ou de receber os medicamentos subsidiados pelo governo para controle dos sintomas. Outro ponto destacado é que a malária reemergente tem um impacto financeiro grande nas famílias, já que, além de remédios, os pacientes muitas vezes perdem dias de trabalho durante as crises da doença.
Embora as descobertas abram uma nova perspectiva para os pacientes que sofrem com a malária reemergente, os pesquisadores ainda não arriscam uma data para que a novidade chegue às prateleiras das farmácias e aos hospitais públicos. O próximo passo será testar a segurança de seu uso em seres humanos. “Se as imidazolopiperazinas se provarem seguras e não tóxicas durante os testes pré-clínicos que já estão em curso, é possível que os testes clínicos comecem em breve”, conta Elizabeth. “No entanto, muitas pessoas terão de ser envolvidas nessa decisão.”
Fonte: Estado de Minas
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