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DATA | 06 de setembro de 2010


Crianças lotam hospital durante o tempo seco
As altas temperaturas e a baixa umidade do ar são grandes vilãs da saúde, principalmente das crianças

As altas temperaturas e a baixa umidade do ar são grandes vilãs da saúde, principalmente das crianças. Nesta época do ano, aumentam os atendimentos médicos e o número de crianças com sintomas alérgicos e infecciosos chega a dobrar, segundo especialistas. As queixas são sempre as mesmas: dificuldade respiratória, sangramento nasal, dor de cabeça e no corpo, indisposição, falta de apetite e alergias.

O Hospital Infantil João Paulo II, no Bairro Santa Efigênia, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, registrou aumento no fluxo de pacientes na última semana. Tudo por causa das complicações decorrentes do tempo seco. Nos fins de semana, três médicos fazer o atendimento no hospital público.

De acordo com o pediatra Fausto Ferrer, a média de atendimento ideal seria de três pacientes por hora para cada profissional, no entanto, segundo ele é praticamente impossível se prender a esta marca. “Muitas mães trazem os filhos para retorno de consultas nos fins de semana e isso prejudica o atendimento ideal e dos novos casos”, conta o pediatra.

Domingo (5) à tarde, a dona de casa Simone Alves, de 32 anos, que mora em Santa Luzia, na Região Metropolitana da capital, esperou mais de duas horas para conseguir atendimento para a filha Cidiane, de 11 anos, no João Paulo II. A menina estava indisposta, reclamava de dor de cabeça há dois dias e tinha febre de 38 graus. “Temos que esperar porque os casos mais graves são atendidos antes”, contou desanimada.

Linair dos Santos, de 23 anos, estava com a filha Emilly, de 4 anos, que sentia dor de garganta e apresentava secreção nasal. O atendimento foi demorado. “O calor agrava tudo, ela chora, não quer ir à escola e não come”, explicou a mãe. Na semana passada, o outro filho de Linair, de 11 meses, também foi levado ao hospital e recebeu o diagnóstico de virose.

Fausto Ferrer aconselha as mães para que só procurem atendimento médico quando não for possível tratar o problema em casa. “A qualquer sinal de alergia ou indisposição, as mães já vêm para o pronto-socorro e isso complica o atendimento de casos graves”, afirmou. Cuidar da higiene dos filhos, por exemplo, é uma das recomendações do médico. “É importante evitar contato com objetos contaminados, limpar as unhas das crianças, administrar a ingestão de líquidos e a hidratação das mucosas nos dias mais críticos”, ressalta.

Segundo ele, a falta de pediatras nos hospitais é um problema visível e, se os casos aumentam e os profissionais não acompanham o crescimento, o que se tem é um déficit no atendimento. “Por isso tantas crianças voltam para casa sem serem atendidas”, afirmou o médico.

Fonte: Hoje em Dia